sexta-feira, 4 de julho de 2008

Filme: Hancock

Bom, mais uma sexta-feira com sessão de cinema... e mais uma vez, como decidi muito ao acaso e repentinamente, acabei por ir... comigo mesmo. Afinal, não haveria muita coisa que eu pudesse fazer numa sexta-feira chuvosa e um tanto quanto monótona.

Não salvou meu dia, mas... vamos ao que interessa, meu ponto de vista do filme...



Hancock é uma excelente ilustração de um super-herói mais “humano”. Obviamente, em se tratando de super-poderes, temos fugas absurdas e inevitáveis do real, mas me refiro àquilo que tange o aspecto da “personalidade”.

O personagem principal não tem um super-esconderijo, ou um super-carro, ou um super-laboratório, ou super-inteligência. John Hancock é um... mendigo. Vive em maior tempo na rua (e sua "mansão" é um trailer mal-cuidado no exato centro do nada), dormindo pelas calçadas, e muito longe da perfeição (atributo inerente a maioria dos super-heróis), tem diversos defeitos, tais como o alcoolismo acentuado, e o fato de não se portar de uma maneira muito regrada.

Hancock, ao contrário do que se anuncia, não é um filme de um único herói. Dentre as personagens, se pode citar, além de Hancock, o agente de relações públicas Ray Embrey. Ray não possui qualquer super-poder, mas seu objetivo de vida é salvar o mundo ,embora suas investidas não conquistem a aceitação dos grandes empresários.

Devido a postura de Hancock, o mesmo acaba por gerar o descontentamento da população e das autoridades, e sua imagem acaba denegrida. Aí, seus destinos se cruzam: Ray vê potencial em Hancock, e se propõe a ajudá-lo a salvar sua imagem.

O filme é divertido, agradável dos momentos de comédia aos de ação. O elenco é excelente, trazendo à frente o indescritível Will Smith, o “não-tão-famoso”, mas talentoso Jason Bateman, além da estonteante (realmente estonteante) atriz Charlize Theron.

Porém, ao meu ver, o filme peca no final, o que é imperdoável. A “humanidade” de Hancock, exibida durante todo o filme, parece desaparecer ali. Vou explicar exatamente o porquê.

Spoiler!

(Atenção: As próximas linhas serão um spoiler do filme, ou seja, podem trazer detalhes que não agradem muito àqueles que ainda não assistiram, pois talvez denunciem um fato ou outro que fazem parte das surpresas do filme. Caso isso incomode, não leia as próximas linhas, leia APENAS a partir da linha “Fim do Spoiler”).

Durante boa parte do filme, o espectador fica com a dúvida: “E agora, quem vai ficar com Mary?” (semelhanças ao titulo de outros filmes são mera coincidência). O relações públicas, ou Hancock? O final mostra quem é, mas fica por isso mesmo. O que houve com a “humanidade” do super-herói? Deixou de ter sentimentos assim, sem mais nem menos?

É inaceitável que, repentinamente, Mary e Hancock, que se amavam há milênios, sacrificando-se um pelo outro, estejam felizes por estarem separados. Ela, feliz com seu marido, esquecendo todos os seus poderes, como se nunca os tivesse tido. Ele, solitário, mas feliz, vendo a mulher que amou por anos e anos com outro.

Nenhuma outra explicação, absolutamente nada. Sequer uma frase feita, como “sou herói, tenho que aceitar meu destino”. Em seu final, o filme trata como se nada tivesse acontecido entre Hancock e Mary. Assim, acaba por tornar desprezível a parte central do filme, praticamente a trama inteira. Se mantivessem o final, e trocassem o meio para Hancock salvando o mundo, e perdendo seus super-poderes ao aproximar-se de uma kryptonita, não ia fazer diferença alguma.


Em suma, o final torna a trama em sua quase totalidade descartável, e não agrada. O espectador não fica satisfeito com a resolução simplista aplicada aos sentimentos exibidos por Hancock e Mary durante o filme.

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Fim do Spoiler

Se a intenção é ver um filme qualquer, ok. Qualquer filme estrelado por Will Smith (e para os amigos, Charlize Theron) já vale a pena por este fato. Mas se a intenção é assistir a uma trama satisfatória, ou ao menos que atenda as expectativas, com nexo entre suas partes e um final que deixe o clima de “excelente filme!” ou “valeu realmente a pena!”, recomendaria outros filmes...

Ou então... caso queira conferir por si, assista!
E comente aqui. Afinal, cada um tem seu próprio gosto.

Por enquanto, é só!

Abraços, e até a próxima!